A fingida assumida

Olá! Meu nome é… Deixa pra lá, este detalhe em nada importa diante do meu histórico mesmo!


Escrevi para esta coluna por que além de eu querer muito dividir minha história com o mundo também sei do quanto este mundo é preconceituoso e hipócrita o suficiente para me devastar se souberem o que eu sou. Então, a palavra anônima muito me atraiu…


E nem adianta você me dizer que não faz parte dos preconceituosos e hipócritas por que aposto que só de ler o título da minha carta já correu aqui cheia ou cheio de conceitos sobre mim, sendo que nem me conhece. Ou melhor, nem saber quem sou sabe!


Enfim, que se dane você! Por que o nos importa aqui sou eu! Afinal foi na MINHA história que você ficou interessada (o), não foi?


Por que será? Por que você também finge tanto quanto eu? Por que você queria fingir melhor? Ou por que você um homem que sabe ser incapaz de satisfazer a mulherada e mesmo assim elas insistem em urrar como baleias ao serem acertadas por um arpão quando você faz seu medíocre movimento de quadril?


Seja lá qual for você neste momento, eu já disse: não importa!


Vamos à MINHA história:


Tenho 43 anos, sou casada e tenho um lindo amante. Alguns vão dizer que não sou  considerada uma encalhada, então… Ok! Pode até ser que do ponto de vista normal, não seja mesmo. Mas estou encalhada num banco de areia e mentiras (que é meu casamento) faz 21 longos anos.


Meu marido, industriário, nunca me deixou faltar nada, a não ser emoção. Nem brigas nunca tivemos, nunca nenhuma realmente boa.


Então, comecei a me engraçar com, OBVIAMENTE, o jardineiro. Ele é lindo, forte, pouco estudado, mas cheio de boas conversas. Foi me envolvendo até que cedi e ficamos juntos entre cantos da casa, beijos curtos e intensos, toques rápidos e um belo dia, finalmente, a transa.


Foi ótima! Quente, intensa, prazerosa, mas… maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas… eu não cheguei ao orgasmo! Ele imediatamente me olhou e perguntou o que havia faltado por que de todas as mulheres que ele tinha saído até então, fui a única a não ter um orgasmo.


Respondi que era o nervosismo da primeira vez e tal. E assim, nos despedimos e a vida seguiu.


Mais olhares, toques rápidos, beijos escondidos e outra transa, uns dias depois.


Ele então me pedia para concentrar-me, por que ele queria muito que eu chegasse ao orgasmo.
E eu, gritando, ofegante e cheia de prazer me contorcia e me revirava, mas nada de orgasmo e ele pedia, implorava até que finalmente… EU FINGI!


Sim! Fingi como sempre fingi com meu marido, igualzinho!


Cara, pode parecer estupidez, mas eu já estava tão acostumada a fingir que nem sei mais como faço para ter um orgasmo real. Nem sei mais o que é, aliás! Não sei onde gosto mais, como gosto mais, só sei que quando canso, finjo e pronto!


E assim ficou sendo SEMPRE com o jardineiro também!


Agora, eu te pergunto: do que adianta ter um cara lindo maravilhoso, uma tórrida paixão proibida, um cara que sabe TU-DO de mulher se vou ter que fingir tal qual com o meu marido? Pra que correr todo o risco de ser pega, de magoar pessoas para ter tudo igual?


Tive que pensar muito pra concluir que o fato de eu não ter orgasmos e, pior, de viver uma vida de orgasmos fingidos é inteiramente minha! Minha por que EU não tenho paciência pra me conhecer o suficiente para saber como gosto do sexo, minha por que não tenho coragem de propor mudanças para meu marido, minha por que quando canso não posso apenas dizer: “Ainda não foi desta vez, vamos tentar de novo e de um jeito novo amanhã…” ao invés de fazer caras e bocas.


A culpa é minha por que meu marido pensa que é super bom no sexo por que eu nunca fui capaz de dizer para ele do que não gosto que ele faça! Coitado… Espero que ele não tenha uma amante, não por que eu não mereça um par de chifres, mas por que ele não merece passar por esta vergonha de achar que sabe o que não sabe…


E meu amante? Será que TODAS as mulheres a quem ele se referiu tiveram mesmo um orgasmo ou todas fingiram e ele também se acha tão, tão melhor do que realmente é por que elas preferem assim por mero comodismo?


Então aqui fica meu depoimento da Fingida Assumida.


Assinado: Casada Fingida Infeliz e, talvez, Frígida por mera falta de vergonha na cara!

11 comentários:

AC disse...

Mordaz, minha cara, mas muito bem escrito...

Beijo :)

Stella disse...

Muita coragem em assumir suas próprias fragilidades, em reconhecer em si o inicio dos problemas e acima de tudo dividir com todos. Quantas mulheres não fazem isso, em razão das cobranças da sociedade frente a necessidade da existência de um prazer constante...

M. disse...

Adoro humor negro...(será que estou a fingir...?)

Lucas disse...

O interessante é que voces fingem para enganar a si mesmas... estranho né?

Mih_ disse...

Bom dia!
Tem uma surpresinha linda no meu blog para você!
Espero que goste!!!
E que faça uso do selo – o post em seu blog!


♥´¯`*•.¸¸♥ Grande bjo,
um ótimo final de semana!
Fica com DEUS...

♥_________Mih_ ઇઉ

http://descalcapoesias.blogspot.com/
http://trevisanimichelle.blogspot.com/

aldrey disse...

Adorei teu blog!!ri muito do post rsrsr
bjs querida

aldrey disse...

Vamos fazer uma parceria?coloco teu banner la no meu e vc o meu aqui...bjs

Paula Li disse...

Oi Dani,
ótimo texto. Quem nunca mentiu ou fingiu em causa própria ou até mesmo alheia que atire a primeira pedra.
bjs

Luis Nantes® disse...

Toc toc toc!! Alguém em casa?!
Entrei aqui sem ser convidado, pois deixou a "porta" aberta... Que falta de educação da minha parte, né? Mas sou do bem e desejo ser seu seguidor e fã... Amigo também, viu?
Adorei sua postagem, história... bastante agradável, viu? Parabéns!!
Beijos

Antonio José Rodrigues disse...

Dani, na relação entre casal tẽm que haver diálogo, pois os dois devem viver felizes, sem fingimento. Fui casado durante dez anos. Nas primeiras relações, percebi que ela não estava sentindo prazer, então passamos a dialogar onde nós estávamos errando. Ela estava bloqueada mentalmente em função de uma relação anterior frustrada e, portanto, pensava que todos os homens eram iguais. Conclusão: começamos a ter uma relação sincronizada e prazerosa. No dia que ela não sentia prazer, me dizia na cara e, então, não me deixava dormir enquanto não estivesse saciada. Eu adorava essa atitude decisiva dela. Casamento é uma sociedade e, portanto, deve-se dividir os bônus, ou melhor, o prazer. Beijos

marcelofsalles disse...

caraca .. e agora se todas são fongidas rsr g-suis

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