Cuecas e calcinhas




As mulheres são um mistério para mim. Há 50 anos, elas tiravam os sutiãs e os queimavam em praça pública aludindo a um “fodam-se os homens” que aconteceu só de leve. Tempos depois, elas botam calcinhas absolutamente desconfortáveis quando sabem que vão se embrenhar em alguma aventura amorosa. Eu nunca usei calcinha, e mesmo que usasse, não teria a tradução ideal do que é, pois tenho, assim como todo rapaz, um excedente corporal pélvico que elas não têm. De qualquer forma, já ouvi inúmeras vezes meninas reclamando que usaram calcinhas lindas, porém absolutamente desconfortáveis, piniquentas só para na hora H o cara se deslumbrar com alguma coisa a mais. Aí eles tiram tudo junto, calça, calcinha, ceroula, e  elas ficam decepcionadas.

No outro extremo do prazer que uma roupa íntima provocante pode proporcionar, existe o velho clichê de que uma calcinha bege é o emblema universal da impotência. Sem querer parecer um materialista infantiloide, mas já sendo, usarei como exemplo um vídeo game para dizer que isso é uma imensa balela.

Em 1998 quando ganhei um Nintendo 64, tive o auge do prazer material da minha vida. A embalagem era linda, toda colorida, adornada com pequenos desenhos de presentes… Era a autêntica magia natalina impressa em papel. Mas se a minha mãe me desse o Nintendo 64 embalado em papel de pão (não há coisa mais bege para comparar), eu teria ficado feliz do mesmo jeito. Eu não falaria “ahh, mãe, a embalagem é tão sem graça. Não quero mais jogar Mario 64″. Independentemente da embalagem, abriria com a mesma paixão.

Ou seja, todo mundo que está de frente para uma mulher com calcinha, sabe o Nintendo 64 que tem dentro. Se você rapaz acha brochante se uma calcinha bege vier como cartão de visita, é possível que haja alguma falta de testosterona na sua fisiologia. E olha que de falta de testosterona eu entendo. Na verdade, creio que nenhum homem se desanime por uma calcinha sem graça, o problema está na cabeça das mulheres, que convencionaram por elas mesmas que calcinha bege é calcinha queima-filme.

Não estou falando que é a melhor coisa do mundo. Só estou dizendo que não é a pior.
Essas elucubrações de rouparia íntima também encontram eco entre nós varões. Meu amigo tem uma teoria sobre aquelas cuecas vendidas em pacote, aquelas sem o menor apelo sexual, que são compradas por nossas mães e tias com o intuito de que nunca consigamos seduzir ninguém com a ajuda familiar. Se a gente quer usar cueca maneira, a gente que compre. O papel social da nossa mãe é evitar ao máximo ser avó, nem que seja comprando cuecas inteiramente sem apelo.

O silogismo hipotético dele reside justamente neste subsídio têxtil de nossas progenitoras. Se um cara tem uma dessas cuequinhas, é porque é um cara do bem, um cara bom. Afinal, se ele usa cuecas assim, é porque a mãe compra pra ele (se ele comprasse as próprias, certamente não seriam essas), e se a mãe compra é porque ela tem níveis relevantes de apreço pelo filho. Logo, podemos inferir que ele é um cara de família, de raiz e de etc. Logo, se você esbarra nas camas da vida com um cara de cuequinha de pacote “5 cuecas – 1 preço”, dê graças a Deus: há um bom elemento prestes a te comer.

De qualquer forma, acho que a importância empregada nessas peças tão elementares é demasiada. Tem gente que fala que esse tipo de cueca é escroto, e que a boxer é muito mais atraente. As pessoas já pensam tanto antes de tirar a roupa, para que mais um tópico a se considerar, uma vez que você precisa estar nu para as coisas acontecerem?

É mais provável que posturas ou falas esquisitas sejam as reais cortadoras de clima, por mais bem intencionadas que possam parecer. Tenho um amigo que vende muito barato a própria dignidade, seja onde for, seja lá em qual situação. Certa vez, ele, ao abrir o sutiã de uma menina, exclamou:

- Liberte meus dois pombinhos!

Ela se matou de rir por uns 10 minutos.

Se eles chegaram às vias de fato, é um mistério. Se ele fez outra piada semelhante, com certeza não chegaram. Nenhuma sexualidade resiste a 20 minutos de gargalhada.

Escrito por Pedro.

5 comentários:

Prosa & Cia disse...

Daniii...voltei pra ficar!!! beijos mil

Nimphel Altorn disse...

Nossa...realemnte falou e disse
O que vale mesmo é o ato..
Claro não vai me aparecer com aquelas cuecas de elefantinho né... isso faria qualquer mulher broxar..pelo menos eu broxaria... imagine só aquela coisa ereta no formato de um tromba de elefante Oo..acho que não desce né..
mas uma simples calcinha bege..Oh my good, não faz mal a ninguém...
Adorei o comentário arrazou o/

Antonio Zilmar disse...

Vou pedir licença e fazer um link dessa postagem no meu blog... Adorei a abordagem das peças íntimas. Um abraço.

Anônimo disse...

Adorei a matéria.

Tô nem ai pra esse negocio de usar calcinha bege, bonitinha,picante,sexual,fio dental.etc... essa baboseira toda!Já vou sem...vcs homens não ligam mesmo! há não ser que queiram usa a calcinha depois(namorei um cara que gostava de levar minha calcinha)rsrsr...vai saber!?blz.

Katia disse...

E quem se apresentara isento de qualquer compra ou pensamento ligado a este estereótipo, pois quantas não foram as vezes que nos pegamos comprando uma peça intima que nem conforto, nem tão pouco discreta tem esta peça e ainda usamos muitas vezes só para si próprio. Ou pior naquela hora H: hó não! uma cueca rasgada que vexame ai sim dá pra cair na risada ou guardar pra rir depois quando contar para os Friends kkkkkkk.
Em fim assumir que muitas vezes nos pegamos fazendo tolices como se vestir para quem nem vai reparar, é banal o pior que perpetuam estes costumes doidos e sei la por q kkkkkkkkkkk

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